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Montadoras paralisam metade das fábricas

16/06/2015

Fonte: ANTP

Autor: ANTP

Os ajustes de produção na indústria automobilística, que vêm se intensificando desde dezembro, atingem agora um de seus pontos mais altos. Diante do agravamento da crise, metade das fábricas de carros, caminhões e ônibus parou ou ainda vai parar entre junho e julho por períodos que vão de uma semana a quase um mês inteiro. Essas paralisações atingem 15 das 29 fábricas de veículos do país.

Entre elas, a General Motors (GM), segunda maior montadora em vendas no mercado brasileiro, não vai fabricar um carro sequer entre esta e a próxima semana. Ontem, as duas unidades do grupo até então ativas - São José dos Campos (SP) e Gravataí (RS) - entraram em férias coletivas, juntando-se assim ao parque industrial da companhia no ABC paulista, que está parado desde o início do mês.

Em São José, a produção da picape S10 e do utilitário esportivo TrailBlazer só volta no dia 1º de julho, enquanto nas demais fábricas de automóveis da GM - bem como nas de motores, em Joinville (SC), e de componentes estampados, em Mogi das Cruzes (SP) - as atividades serão retomadas dois dias antes, em 29 de junho.

Desde o início do mês, a produção de veículos já tinha sido totalmente interrompida em dez fábricas de nove montadoras: Mercedes-Benz - tanto em São Bernardo do Campo (SP) como em Juiz de Fora (MG) -, Scania, Ford, Fiat, Iveco, Caoa (fabricante de utilitários da Hyundai em Goiás), Agrale, Mitsubishi e PSA Peugeot Citroën. Desse grupo, estão no momento paradas as linhas da Peugeot Citroën - cujas férias coletivas de três semanas também começaram ontem -, da Caoa e da Agrale, assim como o setor de caminhões pesados da Iveco, que tem retorno previsto para quinta-feira.

Já na semana que vem, a Nissan vai dar início, na quarta-feira, às férias coletivas que vão parar a produção da marca em Resende (RJ) até 12 de julho. Também estão programadas férias na fábrica da Hyundai em Piracicaba (SP) - entre 2 e 12 de julho - e na Scania, a partir de 29 de junho, com retorno previsto para o dia 13 de julho. Nas duas empresas, porém, o recesso foi anunciado como parada tradicional de meio de ano.

No caso da Scania, as férias serão dadas após a fabricante de caminhões suspender a produção na última sexta-feira e durante toda a semana do feriado de Corpus Christi.

Além da forte contração da demanda doméstica, as montadoras reduzem drasticamente a atividade das linhas de montagem na tentativa de normalizar os estoques de veículos parados nos pátios de fábricas e concessionárias. Mas mesmo com a produção voltando a níveis de oito anos atrás, o encalhe segue alto, com volume de veículos suficiente para 51 dias de venda, quando o ideal seria reduzir isso para um giro mais próximo de 30 dias.

Números referentes a maio indicam que o setor está operando com uma ociosidade de 41%, tendo-se em conta a capacidade instalada de 4,5 milhões de veículos por ano divulgada pela Anfavea, a entidade que abriga as montadoras instaladas no país.

O percentual, contudo, pode variar porque não há uma conta precisa sobre a capacidade instalada dessa indústria após linhas serem abertas e fechadas nos últimos meses. A própria Anfavea está refazendo seus cálculos.

Nas estimativas da Tendências, o potencial de produção passa de 5 milhões de veículos com as fábricas inauguradas desde o ano passado por grupos como Fiat Chrysler, Nissan, Chery e BMW. Assim, a consultoria calcula em mais de 50% a ociosidade da indústria automobilística em 2015, repetindo o patamar da crise de 1999.