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Problemas no funcionamento prejudicam acessibilidade nos ônibus

28/04/2015

Fonte: O FLUMINENSE

Autor: O FLUMINENSE

Passageiros de ônibus reclamam que muitos elevadores de acessibilidade instalados nos coletivos não funcionam corretamente, seja por falha mecânica ou do próprio profissional que opera o sistema. Pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida que precisam se locomover dentro da cidade, dizem que os rodoviários boicotam o sistema, evitando até parar para o deficiente ou mesmo simulando defeitos no equipamento para que não haja a necessidade de operá-lo.

No último dia 15, a cadeirante Marcela de Souza Saturnino Braga, de 47 anos, caiu de um elevador de ônibus em Niterói e morreu. Segundo familiares, o acidente aconteceu por volta das 11h, em Matapaca, Pendotiba, no momento em que Marcela se preparava para descer do ônibus. Ela estava na companhia do filho, de 18 anos. Testemunhas disseram que o aparelho não foi operado corretamente. Ela chegou a ser socorrida por bombeiros, mas não resistiu. O caso da cadeirante alerta para a importância do perfeito funcionamento e manuseio do equipamento dentro dos coletivos.

“Recebemos inúmeras ligações de pessoas denunciando que o aparelho não funciona. Quando o ônibus chega na garagem, vou lá conferir o que está acontecendo, e verifico que não há problema com o elevador, mas sim do próprio profissional que opera o sistema, muita das vezes. Eles alegam que o elevador apresenta defeito”, revela um funcionário de uma empresa de ônibus de Niterói, que pediu para não ser identificado.

Outro profissional explica que precisou colocar uma câmera escondida para flagrar os “problemas” no sistema.

“O elevador saía daqui em perfeito estado, mas sempre recebíamos reclamações sobre ele. Fui obrigado até a colocar uma câmera escondida para pegar o motorista que estava obstruindo o elevador para que ele não funcionasse, e consegui identificá-lo”, revelou.

Com um total de 250 ônibus cortando todos os dias a cidade – cerca de 200 municipais e 50 intermunicipais – a empresa Auto Lotação Ingá tem hoje 80% da frota equipada com o sistema de acessibilidade. É o que diz um dos diretores da empresa, Francisco Soares, que conta ainda que há um treinamento com os profissionais que chegam à firma.

“O sistema fica o dia todo rodando, recebendo chuva, poeira, lama, água, e quando ele retorna à garagem nós verificamos se está funcionando bem, através de testes realizados por profissionais da própria empresa. Treinamos também todos os motoristas e os cobradores no momento da admissão, além dos funcionários mais antigos, já que é uma tecnologia nova”, explica Francisco. 

Mas, segundo o diretor de Fiscalização do Procon-RJ, Fábio Domingos, nem todas as empresas de ônibus fazem a manutenção adequada.

“Em todas as empresas que a gente visita, sempre encontramos problemas nos elevadores. Em geral, as pessoas com dificuldade de locomoção são pessoas que precisam de maior atenção e as empresas não dão a atenção devida. O que a gente vê são os elevadores com defeito ou os profissionais dos ônibus que não sabem operar”, explica Domingos, dizendo que a autarquia já promove ações de fiscalização há pelos dois anos em coletivos e que são verificadas a segurança, limpeza e estado de conservação dos ônibus, além dos elevadores de acessibilidade.

Na última sexta-feira, o Procon-RJ realizou uma fiscalização em parceria com a secretaria de Estado de Transportes e o Departamento de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (Detro) na garagem de uma viação, em São Gonçalo. A ação teve o objetivo de verificar questões referentes às legislações de transporte e do direito do consumidor na frota das empresas de ônibus intermunicipais. Na ação, 23 coletivos apresentaram irregularidades dos 40 veículos inspecionados.

A Coordenadoria de Acessibilidade de Niterói também faz operações de fiscalização nas empresas de ônibus da cidade. Segundo a secretária da pasta, Carmen Lúcia Fogaça, as ações são anuais, mas podem ter seus calendários alterados de acordo com a demanda.

“A gente tem feito a fiscalização anual, com os fiscais das secretaria de transportes e da NitTrans. A última aconteceu há quatro meses e, em geral, um prazo é dado às empresas para que se regularizem para só então voltarmos e termos um retorno da empresa. Algumas vezes nós fazemos outras surpresas ao longo do ano”, revela a secretária. 

A determinação do Decreto nº 5.296, de 2 de dezembro de 2004, art, 38 § 3º, estabelece o prazo máximo de 120 meses, dez anos, a contar da data de publicação da norma, para a completa adaptação do equipamento nos coletivos.