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Empresas enfrentam dificuldades para contratar motoristas qualificados

30/07/2012

Fonte: Agência CNT de Notícias

Autor: Jacy Diello

Em todo o país, representantes do setor de transporte de cargas afirmam que milhares de vagas para motorista estão disponíveis no mercado. No entanto, justificam, um dos motivos que dificulta a contratação é a falta de qualificação dos candidatos. Uma das exigências, por exemplo, é a capacidade de conduzir caminhões cada vez mais modernos, com tecnologia avançada.


Dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) confirmam: o número de veículos de carga registrados junto ao órgão é 2,5 vezes maior que o de profissionais inscritos. Mas na outra ponta, quem procura o primeiro emprego argumenta que o quadro não muda porque as empresas não oferecem uma oportunidade a quem não tem experiência.


Em entrevista à Agência CNT de Notícias, o presidente da Federação do Transporte de Cargas do Rio de Janeiro (Fetranscarga), Eduardo Rebuzzi, fala sobre os requisitos exigidos dos profissionais que pretendem ingressar na carreira de motorista. Ele também comenta a importância de valorizar a profissão, considerada estratégica para o desenvolvimento do Brasil. 


A falta de profissionais qualificados é uma realidade nas empresas?

Sim, a falta de mão de obra especializada no mercado é uma realidade. As empresas, de forma geral, enfrentam dificuldades no recrutamento. Aqui no Rio de Janeiro, por exemplo, estimamos que faltam oito mil motoristas. Até temos motoristas à disposição, mas a maioria não está preparada, não tem experiência ou não está atualizada. Essa carência é algo que se percebe no Brasil inteiro.


E quais são os requisitos que as empresas exigem para contratar? O que estão buscando?

O requisito principal é que se tenha dois anos de direção para passar à etapa seguinte, exigida para conduzir o caminhão. Às vezes, o motorista tira a carteira e, durante este período, acaba se interessando por outra atividade e arruma outro emprego. Para se desligar dessa nova profissão e voltar a dirigir o caminhão, é mais difícil. 
 

Os novos caminhões são mais modernos, o motorista precisa entender de outros assuntos, estar atento a outras tecnologias?

Sim, outro requisito é escolaridade. A princípio, o motorista não precisa entender de mecânica, tecnologia, mas tem que ter educação básica, segundo grau completo. Um motorista semialfabetizado pode ter dificuldade para entender alguns assuntos. É preciso aprender a manusear equipamentos de segurança, computadores, lidar com uma tecnologia mais avançada. Tudo isso o motorista irá entender se tiver uma boa base de educação, para assimilar o treinamento. 


Como conciliar o fato de que as empresas querem profissionais qualificados mas, no entanto, cobram experiência de quem busca o primeiro emprego?

Uma das formas é o trabalho realizado pelo Sest Senat, que treina os motoristas em cursos de formação, quando eles começam com veículos de menor porte, que não exigem a carteira de habilitação D para serem conduzidos.
 

É importante começar na profissão e, depois, continuar a preparação e o treinamento para que se possa cumprir o prazo legal exigido à mudança de carteira. O jovem deve ingressar na profissão com veículos menores e depois evoluir. Aos 25, 26 anos, está apto a dirigir veículos mais pesados como uma carreta ou um bitrem. 


Quais fatores contribuíram para que o interesse pela profissão tenha diminuído nos últimos anos?

Quando eu era garoto, meu sonho era ser motorista de ônibus. Viajava de ônibus e achava o máximo. O motorista tinha orgulho da profissão e queria que o filho a seguisse para ter conquistas, vencer desafios. 

Mas, atualmente, são muitas as dificuldades. No lado urbano, ficamos o tempo todo em engarrafamentos, é difícil circular com o veículo. Quase todas as maiores cidades do país têm restrições de circulação. Nas estradas, a infraestrutura é ruim, não tem onde parar o caminhão e falta segurança. É uma atividade estressante.


Ações como a do Sest Senat são importantes para resolver o problema?

Sim, são fundamentais. A formação de mão de obra é importante e a atuação do Sest Senat valoriza a atividade que, hoje, é lembrada pela falta de segurança nas rodovias e pela falta de infraestrutura. Quando se começa a criar os instrumentos de valorização da profissão, com certeza as pessoas irão se interessar mais por ela. O motorista representa uma atividade econômica estratégica para o país e que merece ser respeitada. 

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Rosalvo Streit

Agência CNT de Notícias